Perineo - Dor Sexual - Dispareunia - Disfunção Sexual Não-Coital - Vulvodínia
 

Quase metade de todas as mulheres sofre de algum tipo de dor na relação sexual. Existem diversos tipos de dor sexual, causadas por situações das mais distintas, mas a grande maioria tem tratamento, e até mesmo cura.

É normal que a relação sexual seja dolorosa?

No mundo todo cerca de quatro em cada dez mulheres sofre com algum tipo de dor durante a relação sexual. O termo dispareunia significa simplesmente "relação sexual dolorosa".

A dor pode acontecer após a relação, ou durante o intercurso da relação, apenas durante a penetração ou mesmo antes de a penetração acontecer.



Quais são os tipos de dor sexual

Para algumas mulheres o problema não é constante: para elas, a maioria das relações com penetração não é dolorosa, mas a dor acaba aparecendo em uma ou outra relação isolada, com o mesmo parceiro ou não. No entanto, outras mulheres podem apresentar dor em toda e qualquer tentativa de penetração. Em certos casos a mulher sente dor sexual mesmo sem a penetração, apenas pelo estímulo da região genital.

Dispareunia: quando a mulher consegue ter relações sexuais sem dor, mas em algumas vezes a dor aparece, de maneira repetitiva. Pode haver dor no momento da penetração, durante o ato sexual ou mesmo antes de a pepetração acontecer.

Vaginismo: quando a mulher jamais conseguiu ter uma penetração sem ter dor (seja pelo pênis, por um dedo ou pelo absorvente interno), o problema é conhecido como vaginismo. Cinco em cada cem mulheres pelo mundo apresenta algum grau de vaginismo, onde nos casos mais severos a mulher não consegue ser penetrada de maneira alguma.

Disfunção sexual não-coital: quando a mulher sente dor sem a penetração, seja por um estímulo físico, como um carinho na região genital, ou a masturbação, ou mesmo por um estímulo psíquico (simplesmente de pensar ou ouvir falar em sexo).

Vulvodínia: quando há um desconforto na região vulvar (genitália externa, principalmente entre os pequenos lábios), sem que haja sinais de inflamação (vermelhidão com dor) ou de infecção (inflamação causada por microorganismo), que pode afetar 15% das mulheres.



Como é a dor sentida na relação sexual?

Há muita variação entre os casos, mas de um modo geral a dor sexual costuma se parecer com um queimor, um corte, uma agulhada, como o atrito de uma lixa, uma sensação de batida ou mesmo a sensação de rasgar.

Os chamados graus de dor também variam: vão desde um leve desconforto - quase uma coceira - até uma dor insuportável.

Dor Pontual ou Dor Generalizada

A dor sexual pode ser pontual (em apenas um local fácil de definir) ou generalizada (espalhada pela região genital, em uma área difícil de definir como apenas um ponto).

Na forma pontual apenas um pequeno local é dolorido, como por exemplo o clitóris, ou então apenas os lábios vaginais, ou a entrada da vagina (linha da MAP), ou o fundo vaginal.

Já a forma generalizada pode trazer dores em uma área que envolve, por exemplo, a vagina, a bexiga e o útero em conjunto, ou então toda a parte externa da região genital feminina. Esta dor que acomete apenas a região externa - ou vulvar - especialmente por dentro dos lábios menores, recebe o nome de vulvodínia.

Dor Sexual Primária ou Dor Sexual Secundária

Quando a mulher sempre experimentou os episódio de dor na relação, desde jovem, está caracterizada a dispareunia primária, ou seja, que sempre existiu. Mas quando, por outro lado, ela não costumava ter dores durante a relação sexual, então temos um caso de dispareunia secundária, que apareceu depois, repentinamente.



O que pode causar dor na relação sexual?

Há uma série de fatores, internos (do próprio corpo) e externos (do meio) que podem causar dor na relação sexual.

Infecções vaginais

Dentre todas as causas de dor sexual secundária, a mais comum é a infecção vaginal por microorganismos, como fungos (cândida), bactérias (gardnerella) ou protozoários (trichomonas - lê-se 'tricomonas'). Infecções vaginais, especialmente na mulher sexualmente ativa, são quase tão comuns quanto resfriados, e tem tratamento simples e rápido.

A característica principal (mas nem sempre presente) da infecção é o corrimento, com ou sem cor, com ou sem odor. Também pode haver coceira ou hiperemia (vermelhidão) no local.

As infecções genitais podem ou não causar dor na relação sexual, e na primeira suspeita a mulher deve consultar imediatamente o médico ginecologista. Quanto mais cedo a infecção é descoberta, menor o incômodo, e mais rápido e simples é o tratamento, normalmente a base de comprimidos e/ou cremes especiais.

Incoordenação da MAP

A musculatura do assoalho pélvico (MAP), responsável pela pressão sentida na entrada da vagina durante o ato sexual, tem papel fundamental no ato sexual. É necessário que MAP relaxe para que a penetração seja possível e prazerosa, tanto para a mulher quanto para o parceiro.

No entanto algumas mulheres não conseguem relaxar a MAP, e o resultado do "aperto" excessivo ao redor do pênis é uma dor na mulher, semelhante àquela que acontece por conta da primeira relação sexual. Esse problema de incoordenação da MAP e causador de dor, é mais comum do que se imagina (afetando cerca de 15% das mulheres) e é tratado com fisioterapia.

Dor neurogênica (neuralgia)

Dores neurálgicas são relacionadas a algum mal funcionamento da inervação. Nervos são como fios elétricos percorrendo o corpo. De fato, eles elevam esímulos elétricos do cérebro para os órgãos e músculos (por exemplo para produzir movimento), e dos órgãos e músculos para o cérebro (para que possamos perceber sensações como frio, sabor, dor, etc).

Há um equilíbrio para o funcionamento dos nervos - uma quantidade certa de energia elétrica passando por eles. Quando há um caso, por exemplo, de hipersensibilidade de um determinado nervo, significa que energia demais está passando em um determinado nervo. O resultado é que o cérebro receberá a informação amplificada: o que deveria ser a sensação de um suave carinho é recebido pelo cérebro como um arranhar doloroso.

Alguns casos de dor sexual, especialmente de vulvodínia, são causados por hipersensibilidade nervosa. O que deveria ser uma sensação de toque suave na região genital acaba sendo percebido como dor. Casos de dor sexual primária são, normalmente, causados por problemas neuropáticos, psicológicos ou uma associação dos dois.

Traumas físicos

Tecnicamente se usa o termo "trauma" como sinônimo de lesão, ou "machucado". Dor sexual pode ser causada por traumas físicos, como as lesões decorrentes de um parto complicado, um acidente automobilístico ou um efeito indesejado de uma cirurgia perineal. Um parto complicado, por exemplo, pode lesionar a inervação local, levando aos efeitos da dor nerugênica, descrita acima.

Traumas psicológicos

A dor sexual pode ser fruto de situações de estresse psicológico sobre a sexualidade da mulher, como por exemplo uma criação muito rígida (que proíba, por exemplo, a masturbação), abuso sexual na infância ou secundário à estupro. Em grande parte

O fato de o estresse emogional ser inconsciente significa que, na maioria dos casos, a mulher nem mesmo desconfia da sua existência. Noutros termos, ela não lembra que, algum dia, passou por algum evento que acabou se tornando traumatizante, e tempos depois ocasionando a dor sexual. Ou, se ela lembra do evento, não consegue associá-lo à dor.

É fundamental o acompanhamento do psicólogo, que investigará a existência de conflitos, as origens do problema e as possíveis soluções.



Eu tenho dor na relação sexual. O que devo fazer?

Lembre-se de que existem diversos tipos de dor na relação sexual, que podem ser causadas pelas situações mais distintas. A primeira coisa a se fazer quando se percebe alguma dor ligada à relação sexual é consultar o médico ginecologista para identificar qual o problema e o que o está causando. É o que chamamos diagnóstico.

O tratamento só vai funcionar com o diagnóstico correto. De acordo com o tipo de problema, o tratamento se resume basicamente em farmacoterapia (medicamentos), psicoterapia e fisioterapia especializada.

Tratamento farmacológico

O medicamento, prescrito pelo médico ginecologista, pode ser voltado ao combate de infecção vaginal, ao combate dos sintomas neurálgicos (neuropáticos, ligados a problemas na inervação), ou ao combate da ansiedade ou outro problema psíquico.

Importante: Jamais se medique sem prescrição médica. O uso equivocado de medicamentos pode causar reações indesejadas e consequências irreparáveis.

Tratamento psicológico

Casos de dor psicogênica, comuns por exemplo em casos de vulvodínia, assim como os de incoordenação da MAP, comum nos casos de vaginismo, estão quase sempre associados a algum estresse emocional, quase sempre inconsciente. O psicólogo investigará eventuais conflitos e as origens do problema. Estar ciente do evento que desencadeou todo o processo de dor é o primeiro passo para entendê-lo, enfrentá-lo e assim resolvê-lo.

Qualquer situação que envolva a sexualidade influencia intimamente o emocional. É fundamental que problemas de dor sexual sejam acompanhdos por psicólogo.

Tratamento fisioterápico

É comum que os diferentes tipos de dor sexual tenham algum componente físico relacionado. E este componente pode e deve ser tratado com fisioterapia específica. Técnias visando a melhoria do conhecimento corporal, da consciência genital, da elasticidade da entrada do canal vaginal e da coordenação motora da MAP, são algumas das ferramentas que o fisioterapeuta especialista dispõe para o tratamento das dores relacionadas à sexualidade feminina.

Para os casos onde a dor é causada por incoordenação da MAP, a fisioterapia específica é a modalidade que mais fornece resultados. Também para os casos de dor sexual neurálgica, como na vulvodínia, técnicas fisioterápicas específicas vêm conquistando mais e mais espaço de destaque nos meios científico e clínico.

A fisioterapia para as dinfunções de dor sexual, hoje, fazem parte do chamado padrão áureo de tratamento deste tipo de problema, o que significa o tratamento faz parte da opção de primeira escolha para os grupos de estudo e tratamento mais importantes do mundo.