Perineo - Sexualidade Feminina e Orgasmo
 

Conhecendo a resposta sexual feminina

Para entender a resposta sexual feminina é importante diferenciar as fases dessa resposta. Estas fases são o estímulo, a ereção e engurgitamento, a lubrificação, a fase de platô, o orgasmo e a ejaculação feminina. Cada uma delas corresponde a um evento que pode acontecer isoladamente, ou em conjunto com as outras. Por exemplo, pode acontecer ereção sem estímulo, orgasmo sem ejaculação (tanto para a mulher quanto para o homem), ejaculação sem orgasmo, etc.



Estímulo sexual

É o começo de toda resposta sexual. Pode ser psíquico (apenas por pensamento, visual ou auditivo) ou físico (toque). Hoje sabe-se que a parte psíquica do estímulo sexual, especialmente para a mulher, é ponto fundamental para a completa realização sexual.

Durante muito tempo a sociedade impôs inibições morais que, até hoje, são responsáveis por problemas sexuais, especialmente em mulheres - sobre as quais as imposições sempre foram mais rígidas. A repressão sexual de uma mulher pode fazer com que ela crie um bloqueio ou inibição para os estímulos sexuais e torne-se pouco sensível para o sexo ("frigidez") ou, pelo contrário, se torne sexuada demais.

Conhecer o corpo e estar de bem com ele é fundamental para que o caminho para a recepção dos estímulos sexuais esteja aberto.

O estímulo é a porta de entrada para toda a resposta sexual: é a partir da boa recepção e percepção dos estímulos que uma relação satisfatória começa.

É importante desligar do mundo ao redor e se concentrar no próprio corpo, nas suas próprias vontades, tentar perceber as respostas físicas que vão surgindo, por exemplo, quais carícias provocam quais sensações são melhores recebidas.



Engurgitamento e Ereção Feminina

Até a quinta semana de gestação não há diferenças morfológicas entre bebês do sexo masculino ou femino. É partir daí que acontece a diferenciação sexual, quando são formados os órgãos genitais masculinos e femininos, a partir dos mesmos tecidos. É por este motivo a sensibilidade do clitóris é praticamente igual a pênis.

De fato, esses dois órgãos são bastante similares, diferenciando apenas em tamanho. Isto significa que ele é eretível (torna-se ereto) durante a excitação.

Durante os momentos de excitação as artérias são dilatadas, assim como acontece com o pênis, e o clitóris aumenta de tamanho e volume em virtude desse aumento no volume sanguíneo local. Esse engurgitamento, ou "inchaço", aumenta muito sua sensibilidade.

A região delimitada pelos grandes lábios, conhecida como vestíbulo, também aumenta de volume em virtude deste aumento no fluxo sanguíneo. A sensibilidade também é aumentada, além de haver um estreitando os tecidos da região que vai ficar ao redor do pênis durante o ato sexual. As regiões mais importantes a sofrerem esse engurgitamento são os pequenos lábios, a entrada da vagina e os arredores do clitóris.



Lubrificação vaginal

Na parte inferior da entrada da vagina existem duas pequenas glândulas chamadas glândulas de Bartholin, em homenagem ao cientista que as descobriu. Sua função é produzir aquele muco transparente e inodoro que umedifica toda a região genital durante a excitação sexual.

Em conjunto com as secreções produzidas pelas paredes vaginais (internamente), este muco vai permitir que a sensação durante o ato sexual seja de massagem, branda e sem atrito, ao contrário da sensação irritativa de uma vagina ressecada.

A quantidade de muco produzido varia para cada mulher. Nos casos onde essa produção não é observada, ou a quantidade é insuficiente, pode haver um fundo psicológico (quando a mulher não está aberta suficientemente para a recepção dos estímulos sexuais), ou físico (por algum problema nas próprias glândulas, ou falta de hormônios). Consultar o médico ginecologista e um psicólogo pode solucionar o problema.

O muco é inodoro (sem cheiro) e incolor (sem cor). Muco com coloração, por exemplo amarelada, ou então com odor aumentado ou diferente, normalmente indicam algum tipo de infecção por microorganismo - o que é bastante comum. Consultar o médico ginecologista normalmente resolve o problema rapidamente.



Fase de Platô

Finalmente, se todas as condições propícias foram alcançadas, desde a recepção apropriada e proveitosa dos estímulos sexuais (visuais, táteis, psicológicos), se esses estímulos foram suficientes para provocarem a ereção do clitóris, o engurgitamenteo dos pequenos lábios e do restante do vestíbulo, se houve lubrificação suficiente para que o atrito com o pênis fosse reduzido à sensação de uma massagem prazerosa, então é muito provável que a mulher chegue numa fase da resposta sexual conhecida como fase de platô - que prepara terreno para o orgasmo.

A palavra platô significa plataforma. Na resposta sexual, representa aquela fase do ato sexual no qual a excitação está quase máxima. Esta fase, do "meio da relação", dura normalmente de 2 até mais de 15 minutos, sendo para muitas mulheres a parte mais prazerosa da relação.

O engurgitamento de toda a região genital está no máximo, a sensibilidade completa. Uma das características é a hiperemia (avermelhamento) da região das bochechas, pescoço e do peito, e alterações na respiração. A sensação é de que o orgasmo está próximo - embora este possa acontecer ou não.



Orgasmo

Quando o estímulo na fase de platô continua é possível que aconteça o orgasmo. Orgasmo são contrações rítmicas e reflexas (ou seja, automáticas) que podem durar de segundos a minutos. Pode acontecer nas mais diversas intensidades: quanto mais intensos forem os estímulos, mais intenso é o orgasmo.

A sensação na mulher é de que toda a região genital (que envolve não só a vagina, mas a parte interior da cavidade pélvica, útero, toda a MAP e por vezes até os músculos abdominais e da parte interna das coxas) está contraindo automaticamente e com força.

Como orgasmo em sí são as contrações, fica mas fácil entender como ele pode acontecer sem ejaculação até mesmo no homem. Quando a excitação é muito pequena, o orgasmo pode ser muito fraco. A sensação pode nem mesmo ser percebida, embora algum sêmem possa ser expelido. Por outro lado, também pode acontecer o orgasmo sem ejaculação: também de maneira fraca, o orgasmo fraco não bombeia o suficiente para que o sêmem seja expelido.


Anorgasmia e Disorgasmia

Estima-se que mais de 50% das mulheres em todo o mundo tenham alguma dificuldade de alcançar o orgasmo

É muito comum que mulheres não consigam alcançar o orgasmo (anorgasmia). Em outros casos, é comum que a mulher tenha alguma dificuldade de alcançá-lo (disorgasmia). A variação é grande: desde mulheres que nunca tiveram um orgasmo, mesmo depois de anos de casamento, até aquelas que só alcançam o orgasmo com a masturbação, ou só com um determinado parceiro, ou que necessitam de muito tempo de estímulo, etc.

Cada caso tem um motivo diferente, desde repressão sexual até falta de estímulo suficiente, dificuldade na aceitação desse estímulo ou incompatibilidade com o parceiro.

Mulheres normalmente levam mais tempo para estarem prontas para o sexo do que os homens. Isso significa que a importância das preliminares para a mulher é muito maior. Todas as condições prévias, desde a excitação até a lubrificação precisam ocorrer de maneira suficiente para que seja possível a entrada na fase de platô. Identificar uma falha em qualquer uma das fases pode solucionar o problema.

Cada pessoa tem um rítmo sexual diferente. Alguns gostam de sexo uma vez por semana, outros três por dia, e isso vale tanto para homens quanto para mulheres. Todos os casos são perfeitamente normais: apenas diferentes. Uns demoram 2 minutos para chegar ao orgasmo, outros demoram mais de 20 e, mais uma vez, são só diferenças. Aí está a importância de procurar um parceiro com o mesmo ritmo e gosto.

Problemas de lubrificação podem ser amenizados com lubrificantes artificiais, problemas psicológicos podem ser resolvidos até com relativa facilidade por psicoterapia, e problemas de sensibilidade e falta de percepção da região genital podem ser regredidos com fisioterapia especializada. O importante é descobrir onde está o problema, para que o tratamento seja preciso.



Ejaculação feminina

Houve muita discussão a repeito de haver ou não ejaculação feminina. Nos últimos anos estudos tem discutido a existência de pequenas glândulas ao redor da uretra (canal que drena a urina, localizado logo abaixo do clitóris) chamadas glândulas parauretrais ou de Skene. Estas glândulas produzem um muco um pouco mais viscoso do que aquele produzido pelas glândulas de Bartholin, que é secretado pela uretra durante o orgasmo feminino.

Como estas glândulas são muito pequenas, é comum que essa ejaculação não seja percebida na maioria das mulheres. Contudo, em alguns casos onde essas glândulas estão aumentadas de tamanho, como por exemplo no caso de mulheres com ovários policísticos, a quantidade de muco produzida pode ser bem maior e portanto mais facilmente percebida.

Vários estudos estão sendo feitos para desvendar a ejaculação nas mulheres. Como ela acontece, se ela é comum na maioria das mulheres ou se é um feito raro, em que caso acontece e por que algumas mulheres são mais propensas. Mas por enquanto, ela ainda segue como mais um mistério do universo feminino.